Famílias buscam novos limites digitais enquanto cresce alerta global sobre crianças conectadas
Com a expansão acelerada da tecnologia e o aumento do tempo de tela entre crianças, 2025 marca um ano de preocupação crescente sobre a forma como os pequenos estão acessando a internet. Relatórios recentes mostram que o uso digital infantil nunca esteve tão alto — e, com isso, a exposição a riscos também aumentou.
Pesquisas internacionais revelam que, pela primeira vez, crianças de 6 a 12 anos passam mais tempo conectadas do que assistindo televisão. O acesso, muitas vezes irrestrito, tem acendido um alerta global que envolve pais, educadores, autoridades e especialistas em comportamento digital.
Um ambiente repleto de oportunidades — e perigos
Embora a internet seja uma poderosa ferramenta educacional, o uso sem supervisão pode expor crianças a conteúdos violentos, influenciadores inadequados, golpes virtuais e até manipulação por algoritmos.
“A internet não foi criada para crianças. Quando elas entram nesse ambiente sem preparação, estão vulneráveis a uma série de ameaças invisíveis”, avalia o especialista em segurança digital Marcelo Bragança.
Além do risco de exposição, estudos apontam um aumento expressivo de sintomas emocionais vinculados ao uso excessivo: irritabilidade, ansiedade, isolamento social e distúrbios de sono.
Redes sociais se tornaram o maior foco de preocupação
Plataformas como TikTok e Instagram são as mais usadas por crianças e pré-adolescentes, mesmo com restrições de idade. Vídeos curtos, desafios perigosos e conteúdos que estimulam padrões inalcançáveis contribuem para uma pressão emocional crescente.
Principais riscos identificados:
- Desinformação distribuída por algoritmos.
- Desafios virais perigosos que incentivam autolesão.
- Assédio digital e práticas de cyberbullying.
- Predadores digitais que se passam por crianças.
- Dependência emocional e dopamina artificial.
O impacto direto na rotina das famílias
Com a tecnologia presente em atividades escolares, famílias relatam dificuldade em distinguir “tempo de estudo” e “tempo de lazer digital”. Essa confusão tem dificultado a criação de limites claros em casa.
“O problema não é a tecnologia, mas o desequilíbrio. Quando a tela substitui conversas, brincadeiras e convivência familiar, algo está errado”, destaca a terapeuta familiar Laura Benevides.
Muitos pais admitem sentir culpa ao restringir o acesso digital, especialmente porque tablets e celulares se tornaram ferramentas para tarefas escolares e até para manter os filhos ocupados durante o trabalho.
Efeitos no desenvolvimento infantil
Especialistas alertam que o excesso de estímulos digitais pode atrapalhar áreas essenciais do desenvolvimento, como a construção de atenção sustentada, leitura, criatividade e habilidades sociais.
O tempo excessivo de tela está diretamente associado à dificuldade de concentração, atraso de linguagem e menor tolerância à frustração. Crianças altamente conectadas apresentam mais dificuldade em lidar com situações do mundo real.
As respostas globais ao problema
Diversos países têm discutido políticas de regulação do ambiente digital infantil. Entre as medidas estão limites de tempo para menores, checagem biométrica de idade e responsabilização de plataformas que permitem acesso irregular.
No Brasil, parlamentares já estudam propostas para fortalecer a proteção digital infantil, incluindo a criação de uma lei de segurança online para menores.
Caminhos para proteger as crianças em 2025
A orientação dos especialistas é clara: a combinação de supervisão ativa, transparência e educação digital é o caminho mais eficaz para proteger as crianças.
Medidas recomendadas para pais e responsáveis:
- Determinar horários fixos para o uso de telas.
- Acompanhar conteúdos assistidos e seguir perfis e canais que a criança acompanha.
- Ensinar sobre riscos digitais e reforçar o diálogo.
- Utilizar ferramentas de controle parental para limitar tempo e conteúdo.
- Estimular atividades offline que fortaleçam criatividade e socialização.
“Quando a internet vira babá digital, perdemos a chance de ensinar autonomia e autocontrole. Presença e orientação continuam sendo nossas maiores ferramentas de proteção”, alerta a neuropsicóloga Camila Germano.
Conclusão: a urgência de uma nova educação digital
A preocupação mundial com o acesso infantil à internet é um reflexo de uma era hiperconectada que exige ação imediata. Para garantir que a tecnologia seja aliada — e não ameaça —, é necessário educar, orientar e estabelecer limites claros.
Em um mundo onde a conexão é inevitável, cabe à família e à sociedade transformar a internet em um ambiente mais seguro, equilibrado e saudável para a próxima geração.
