Pequim adverte Washington: Groenlândia não pode ser usada como “desculpa” para expansão americana
Em resposta direta às ameaças de Donald Trump de “adquirir” o território dinamarquês, o governo chinês acusa os EUA de utilizarem a segurança nacional para mascarar ambições coloniais no Ártico.
PEQUIM — Numa escalada de retórica diplomática que marca o início de 2026, a China instou formalmente os Estados Unidos a cessarem a manipulação de outras nações para satisfazer os seus próprios interesses estratégicos. O aviso surge após o Presidente Donald Trump reiterar a intenção de Washington em assumir o controlo da Groenlândia, justificando a medida como necessária para impedir uma alegada ocupação futura por parte da Rússia ou da China.
A tensão intensificou-se após declarações de Trump a bordo do Air Force One, onde o líder americano afirmou que, “de uma forma ou de outra”, os EUA teriam a Groenlândia. Para Pequim, este tipo de discurso viola frontalmente a Carta das Nações Unidas e os princípios básicos da soberania estatal. A diplomacia chinesa defende que as suas atividades na região são estritamente orientadas para a paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável, rejeitando o rótulo de “ameaça” utilizado pela Casa Branca.
Especialistas apontam que a disputa não é apenas territorial, mas uma corrida pelos vastos recursos naturais — petróleo, gás e minerais críticos — que se tornam mais acessíveis com o degelo das calotas polares. A China, que se autodefine como um “Estado quase-Ártico”, planeia a criação de uma “Rota da Seda Polar”, algo que Washington vê como uma intrusão direta na sua esfera de influência setentrional.
Enquanto os líderes da Groenlândia e da Dinamarca reafirmam que o território “não está à venda”, a retórica agressiva de Washington tem gerado desconforto entre os aliados da OTAN e críticas severas do eixo Pequim-Moscovo. O governo chinês sublinhou que os direitos e liberdades de todas as nações para conduzirem atividades lícitas no Ártico devem ser respeitados, sem que isso sirva de pretexto para o expansionismo de terceiros.
Este embate diplomático ocorre num contexto de instabilidade global, onde a administração Trump tem adotado posturas de força não só no Ártico, mas também na América Latina, elevando o risco de um confronto multipolar de consequências imprevisíveis para o direito internacional.
