Delegados pressionam por mais segurança após execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes
A execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, na noite de segunda-feira (15) em Praia Grande, litoral paulista, provocou reação imediata de autoridades policiais, entidades de classe e legisladores. O crime também acendeu um alerta sobre os riscos enfrentados por agentes da segurança pública.
Fontes tinha mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil, aposentado, mas atuava como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande. Ele já era alvo de ameaças do PCC (Primeiro Comando da Capital) e chegou a registrar boletins de ocorrência.
O que se sabe até o momento
- Pelo menos sete pessoas já tiveram mandado de prisão decretado por envolvimento no assassinato. Idades, identidades e papéis diferentes estão sendo apurados.
- Uma das pessoas investigadas é identificada pelo apelido “Mascherano”, membro do PCC responsável pela função de disciplina dentro da facção.
- A Polícia Civil já apontou que o crime pode ter sido uma vingança, dado o histórico de enfrentamento de Ruy com organizações criminosas.
Demandas por proteção policial
Entidades representativas dos delegados da polícia estão enviando ofícios ao governo de São Paulo, pedindo medidas concretas de proteção.
Alguns pedidos que apareceram:
- Projeto de lei propõe escolta para policiais civis, militares e penais (ativos ou aposentados) que estejam com risco.
- Sigilo nos dados pessoais em cadastros públicos e plataformas digitais para autoridades ameaçadas.
- Lei orgânica da Polícia Civil, com ajustes nos direitos, proteção e valorização da categoria.
O governo estadual, até o momento, afirma que essas demandas estão em análise.
Fragilidade e repercussão
Apesar de ter recebido escolta da guarda municipal e medidas pessoais de segurança, uma delegada em Santos renunciou ao cargo por ameaças múltiplas, ressaltando que nem proteção privada ou oficial é capaz de garantir segurança total.
No âmbito legislativo, o assassinato impulsionou debates na Assembleia Legislativa do Estado e também no Congresso Nacional. Propostas incluem tornar obrigatória a escolta de agentes ameaçados, confisco antecipado de bens de líderes de facções, e penas mais duras para crimes organizados.
“Não resta dúvida de que o PCC está envolvido” — declaração do governo estadual sobre a ligação da facção com a execução.
